O medo na escola interfere no processo de aprendizagem

O medo na escola interfere no processo de aprendizagem

No processo do desenvolvimento infantil, no Ocidente principalmente, é comum que em algum momento a criança tenha que começar a frequentar a escola. Ambiente estranho e, na maioria das vezes, o primeiro contato que irá existir com o conceito de separação por um maior tempo entre a criança e seu responsável. Assim, a escola tem a tendência de assustar e virar objeto de rejeição a partir desse encontro inaugural.

Mas até que ponto esse medo irá se estender, por quais motivos eles ainda estarão lá e quais os seus efeitos?

Balaban (1988) afirma que é necessário tempo para que essa criança apreenda toda a nova situação que está vivenciando, portanto, é preciso cuidado tanto dos pais quanto dos professores para que o processo de adaptação seja o mais suave possível, causando o mínimo de desconforto para a criança.

O que será abordado é que primeiramente nesta fase da infância, a forma como o medo será tratado na vida do sujeito refletirá em aspectos idiossincráticos posteriores; em um segundo momento, passada a fase de adaptação, o medo relacionado a escola às vezes é perpetuado, reaparecendo a posteriori. E é na perspectiva do adolescente que isto será trabalhado, pois a ansiedade e o medo passam a ser sentimentos recorrentes na vida do jovem. O mundo adolescente tem parte substancial de seus alicerces fixados na escola – será lá novamente o antro do receio, destarte, trazendo de volta um link negativo entre a escola – lugar principal de aprendizagem – e um sentimento negativo.

Para tratar da primeira abordagem dita anteriormente, foi feita uma pesquisa com cerca de 1.000 estudantes, 606 estudantes de Ensino Médio e 435 estudantes universitários, estes responderam a um questionário relatando a motivação que eles têm para aprender e as estratégias que eles usam para esta finalidade. A análise achou que independentemente das metas que os alunos adotam (como “o que mais quero é aprender todo o conteúdo apresentado nessa aula” ou “o que quero evitar é me dar pior que outros estudantes“) aqueles que desenvolveram medo de falhar em uma idade mais nova, teriam maior chance de escolher uma meta que iria validar o ego do que uma que foque no crescimento pessoal; também são mais propensos a “colar” nos exames do que desenvolver estratégias efetivas de aprendizado.

Estes achados sugerem dois pontos importantes para aprimorar o aprendizado das crianças. Primeiro, os professores e pais têm de ser mais sensíveis em como irão avaliar as competências das crianças. Exigir um nível muito alto e críticas em excesso resultam em um maior medo de falhar. Segundo, é importante que os professores e pais fiquem atentos a forma como propõe a uma criança uma atividade ou meta a ser atingida. É mais benéfico sugerir a criança que a atividade proposta vai ser uma ótima forma de melhorar suas habilidades do que correlacionar essa atividade a uma forma de provar o quanto são bons.

Uma outra face do medo na escola é por parte de uma esfera maior que a questão social, um medo proporcionado pela questão acadêmica: as notas ou a matéria de um professor mais exigente. O que se torna um problema pela questão de que, baseado em um estudo de 2012 feito pelo Weill Cornell Medical College, as reações dos adolescentes a ameaça continuam presentes mesmo quando não há mais perigo. De acordo com a pesquisa, uma vez que o cérebro do jovem passa pela situação de ameaça, a habilidade de suprimir essa resposta emocional é baixa – explicando o porquê do pico de crises de ansiedade e doenças relacionadas ao estresse serem comuns durante essa fase do desenvolvimento.

Correlacionar a escola com sentimentos negativos é plenamente compreensível, podendo tornar difícil o convívio do jovem com a instituição que cada vez mais produz ansiedade, afetando a motivação e o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem.

 

Fonte: Reab Me